De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos vítimas de caça e maus-tratos são soltos no ES
Jabutis, aves e macacos-prego ganham uma nova chance na Mata Atlântica Aves, jabutis, ouriços e macacos-prego resgatados de maus-tratos, caça e cativeiro ile...
Jabutis, aves e macacos-prego ganham uma nova chance na Mata Atlântica Aves, jabutis, ouriços e macacos-prego resgatados de maus-tratos, caça e cativeiro ilegal ganharam uma nova chance de viver na natureza no Espírito Santo. Desde 2011, cerca de 4 mil animais já foram reintroduzidos ao habitat natural nessa área do Sul do estado. Os animais passaram por tratamento, recuperação e um período de adaptação antes de serem reintroduzidos em uma área de Mata Atlântica preservada no Sul do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O local exato da soltura foi mantido em sigilo por segurança. A medida evita que caçadores sejam atraídos para a região e que os animais voltem a ser capturados ilegalmente. A ação foi realizada por equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e do Centro de Reintrodução de Animais Silvestres (Cereias). No Cetas, em Aracruz, no Norte do estado, os animais resgatados, apreendidos ou entregues voluntariamente passam por um longo período de recuperação. Segundo o analista ambiental do Ibama e chefe do Cetas, Joseano Torezani, alguns animais chegam em condições muito ruins. "A gaiola chega com muita sujeira, fezes misturada com comida e sem água. A gente tem que fazer um trabalho de profilaxia para tratar possíveis doenças e evitar a disseminação para aqueles que estão bem, e esse trabalho pode levar meses", explicou. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta No Cereias, também em Aracruz, os animais passam por um período de readaptação antes de serem considerados aptos a voltar para a natureza. "O Cereias recebe animais do estado todo, tanto apreendido quanto entrega voluntária, recolhimento. A gente trabalha comportamento, readaptação comportamental e alimentar também, devido ao longo período que passaram em cativeiro", destacou o biólogo José da Penha Rodrigues. LEIA TAMBÉM: MEIO AMBIENTE: Jacutinga, extinta na Mata Atlântica do ES, RJ e BA, pode voltar à natureza com projeto de conservação PESQUISA: DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção CURRAL ECLÉTICO: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES; veja VÍDEO Adaptação pode levar meses ou anos Antes da soltura, os animais são observados diariamente. A equipe avalia se eles conseguem se afastar das pessoas e dos tratadores e se já estão preparados para viver sem ajuda. "No momento que ele vai se distanciando das pessoas, dos tratadores, de tudo, vai se afugentando, e o momento que ele está apto. E quando a gente chega perto do viveiro, e ele vem topar com a gente, conseguimos perceber que ele ainda está bem domesticado", explicou José da Penha. Uma das etapas que pode levar mais tempo ocorre quando os animais chegam ao centro com as penas danificadas. Nesses casos, a recuperação pode levar meses ou até anos. Vinte papagaios da espécie chauá estão em um dos viveiros para, em breve, serem reintroduzidos na mata. O Espírito Santo concentra a maior população da espécie. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta "Demanda muito tempo para eles fazerem a muda. São seis meses, um ano e, dependendo do caso, até um ano e meio ou dois anos", explicou o presidente do Cereias. A readaptação também inclui o convívio com outros animais da mesma espécie. É o caso dos papagaios que passaram muitos anos isolados em cativeiro. "Um papagaio que viveu a vida inteira sozinho, dez, 15, 20 anos, quando a gente junta com outros papagaios, é incrível como eles se reconhecem e começam a se comunicar. Eles podem até acasalar naquele momento, formar um par, que é para a vida inteira", contou. No viveiro de adaptação, 20 papagaios-chauá aguardam o momento de serem reintroduzidos na mata. O Espírito Santo concentra a maior população da espécie. Segundo o presidente do Cereias, a reprodução é importante para a conservação dos animais. "É para ter aquela serventia para a natureza, que é passar os genes para frente. Enquanto que, se tivesse preso na casa da pessoa, seria um animal morto para a natureza", afirmou. Animais ajudam no equilíbrio da natureza A volta dos animais também contribui para o equilíbrio do ecossistema. Os jabutis, por exemplo, ajudam a espalhar sementes e favorecem o nascimento de novas árvores. Um dos animais recuperados foi um ouriço-cacheiro que chegou ao centro ainda recém-nascido. "É um ouriço-cacheiro que chegou filhotinho, com dois ou três dias de nascido. Teve que ser alimentado na seringa. Depois, com o tempo, ele aceitou a mamadeira", contou o presidente do Cereias. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Quando o animal chegou à fase adulta, a equipe conseguiu formar um casal para que os dois fossem devolvidos juntos à natureza. "Chegou um parceiro, a gente formou o casal e soltamos o grupo acasalado", explicou. Além da soltura, algumas gaiolas utilizadas para manter animais em cativeiro foram destruídas. Para Joseano Torezani, a captura ilegal prejudica o meio ambiente e pode afetar também a vida das pessoas. "Não basta só ser o desmatamento para diminuir o habitat das espécies, mas a captura ilegal, essa pressão que eles fazem sobre os animais, só traz prejuízo para o meio ambiente e para as pessoas. É uma saúde só. Se o meio ambiente começar a ficar doente, ficar desequilibrado, isso vai refletir diretamente na nossa saúde e no nosso bem-estar." Depois de meses ou até anos de recuperação, os animais são preparados para deixar os viveiros e voltar para a mata. Para a equipe que acompanha o processo, a soltura representa o resultado de todo o trabalho de recuperação e adaptação. "É muito gratificante, porque a gente vê que, no cativeiro, aquela espécie em si ia acabar sendo perdida, talvez até entrando em extinção. Com a soltura de vários animais, vendo que eles conseguem se reproduzir na natureza, a gente vê que aquela espécie vai estar segura", afirmou. Durante uma das solturas acompanhadas pela equipe, as aves começaram a cantar assim que a grade do viveiro foi aberta. Depois de meses ou até anos de recuperação, os animais agora têm novamente a oportunidade de viver em liberdade. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo